O modelo linear de consumo atingiu seu limite. Em um país como o Brasil, que recicla apenas cerca de 8 a 8,7% de seus resíduos gerados, e está entre os maiores geradores de lixo plástico globalmente, a reciclagem tradicional simplesmente não escala na velocidade que o planeta exige.
É neste cenário que a Natura , com uma jornada de refilagem iniciada em 1983, propõem um novo salto - do refil em pouch – que já representa uma redução notável de 87% de plástico frente à embalagem regular – para o reuso de alto impacto.
O verdadeiro divisor de águas da Natura é o Projeto Refrão (Refil em Loja). Este sistema de refilagem por totem permite que o consumidor reabasteça sua própria embalagem, pagando apenas pelo conteúdo.
A perspectiva da inovação vai além da logística: a plataforma ainda permitirá que cada consumidor tenha consciência de quanto impacto positivo a reutilização da sua embalagem proporciona, reforçando uma narrativa de sustentabilidade transparente.
O reconhecimento global veio em 2024, quando o Projeto Refrão foi laureado com o prestigiado "Design for a Better World Award" na categoria Design de Produtos, Serviços em Embalagens.
Embora o protótipo do Projeto Refrão estivesse tecnologicamente pronto no final de 2023, o grande obstáculo para o seu lançamento no Brasil é a regulamentação da ANVISA (RDC 108/2005). Esta norma proíbe o reaproveitamento de embalagens de cosméticos trazidas pelo consumidor em lojas, visando a segurança sanitária.
Contudo, o cenário regulatório pode avançar em breve. O Grupo Técnico de Fracionamento da ABIHPEC - Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos incluiu o tema em sua pauta de 17 de dezembro, discutindo uma nova RDC para definir requisitos técnicos e boas práticas para o fracionamento e reaproveitamento de embalagens na venda direta. Além disso, está em análise uma Proposta de Consulta Pública de Instrução Normativa (IN), visando estabelecer quais categorias específicas de produtos de higiene, cosméticos e perfumes poderão ser submetidas a esse novo modelo.
A Natura adotou uma postura ativa nessa causa, demonstrando ser uma agente de Inovação Regulatória ao iniciar um diálogo proativo com a ANVISA para buscar a alteração da norma. Para reforçar sua prontidão tecnológica e a urgência do aprimoramento regulatório, a Natura levou e demonstrou o protótipo da máquina no 10º Congresso Internacional de Inovação da Indústria (CNI) em São Paulo, em setembro de 2023.
A demonstração e o desenvolvimento da Máquina Fracionadora, tanto no Brasil quanto no Chile, não são apenas iniciativas pontuais, mas a concretização da Visão 2025-2050 da Natura. Este movimento impulsiona a transformação rumo a modelos regenerativos, com foco em reduzir a geração de resíduos, reutilizar materiais e promover novos hábitos de consumo. Este movimento é mais do que logística reversa; é uma inovação em Design de Serviço e Regulatório que visa transformar o mindset do consumidor, substituindo a cultura do descarte pela do reuso.
A Natura consolida seu compromisso de que o futuro não reside apenas em reciclar melhor, mas em rejeitar o lixo no design do sistema de consumo, exigindo rigor técnico, diálogo com a autoridade e colaboração intersetorial.
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